É notícia porque é mulher!

Dilma Rousseff

 
      Quantas mil notícias vocês já leram, ouviram ou assistiram sobre a presidente Dilma Rousseff pelo fato dela ser mulher? Foi notícia quando ela foi eleita, quando ela ficou em 3º lugar no ranking das mais poderosas, quando ela abriu a Assembléia Geral da ONU, quando foi cogitada a criação da Lei que OBRIGA as pessoas a chamarem a Dilma de presidentA.
 
      Depois dessa última novidade, nem preciso argumentar muito sobre a presença do sexismo na abordagem da política, né? Eu, como mulher, fiquei orgulhosa por todas essas notícias acima, mas enfatizar essa questão é aumentar ainda mais o abismo entre homens e mulheres.
 
      Eu acredito que essa coisa de gênero ainda irá passar por muitas mudanças. Se pararmos para analisar, tem gente viva que chegou a conviver com uma  sociedade em que mulheres não podiam usar calça porque era coisa de homem. As meninas tinham que ser professoras porque engenharia, direito e medicina eram cursos de meninos. Se em tão pouco tempo tanta coisa mudou, não quero nem pensar no que ainda está por vir.

O amor está no ar!

     

Dilma e Carlos Lupi

       Depois do xiliquinho, Carlos Lupi resolveu se redimir e se declarar para Dilma. Sob suspeita de cobrar propina dentro do Ministério do trabalho, o ministro afirmou que só sairia abatido a balas do cargo e que ainda carregaria o caixão de muita gente. A barra pesou para o lado dele e a digníssima presidente disse não ter gostado da sua atitude.     

      Para explicar a situação, Lupi pediu desculpas e, mais uma vez, exagerou na dose. Não vai ter graça eu contar o que ele disse. Por isso, vou colocar as aspas da pessoa. “Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo.” Preciso falar alguma coisa?

       Quando a gente acha que já viu de tudo, vem uma figuraça dessa e solta uma dessas. Se ele não interferisse em nada em nossas vidas, eu até riria, mas INFELIZMENTE ele é quem responde pela pasta do Ministério do Trabalho.

Quero ser política!

     

      Sabe quando você fica tão desanimada com alguma coisa que tem vontade de ir lá e fazer do seu jeito? Pois é! É assim que eu tenho me sentido em relação à política no Brasil.

      Não sei se eu me sairia bem nessa área, mas que eu seria honesta com o povo brasileiro, eu seria. É inacreditável a forma como os parlamentares tratam as pessoas. Não entra na minha cabeça como alguém consegue deitar a cabeça no travesseiro e dormir sabendo que roubou dinheiro de gente que passa fome, que rala de sol a sol para conseguir pagar as contas e os inadmissíveis impostos.

    Sempre tive a impressão de que se começasse a trabalhar pelo Brasil, as coisas começariam a mudar, mas é muita prepotência achar que uma pobre menininha de 21 anos é capaz de transformar tanto um lugar. No que dependesse da minha vontade, o Brasil acordaria um país digno do que merece.

Não se vive só de festa

Brasil sil sil sil

Era tarde de domingo. Papéis no chão e voando para todos os lados. Gente entrando nas escolas sorrindo. Gente saindo desanimada. Tinha também os desiludidos. Era dia de eleição no país do carnaval. Diferente do cenário sempre festeiro, o que se encontrava de norte a sul do Brasil eram pessoas com incertezas, mas esperançosas. A notícia de que uma mulher representaria o povo veio para causar alvoroço.  O mandato não entrou para a história só por esse motivo.  Muitos ministros ainda iam dar o que falar. Dito e feito.  Seis deixaram seus cargos. Quatro sob denúncias irregulares. Esse é o Brasil, aquele país do futebol.

Quem poderá nos ajudar?

     

 A relação entre Igreja e Estado é mais antiga do que muitos imaginam. Se me perguntassem o que política tem a ver com religião, a única coisa que viria a minha cabeça é: Ambas são responsáveis pela vida das pessoas. A igreja menos, mas mesmo assim, ela desempenha um papel importantíssimo e decisivo em muitas situações e para muitas pessoas, não todas.

     O Estado sim, esse tem um papel fundamental na maneira como toda uma população vive. Se eu fosse política, me sentiria profundamente responsável ao passar por um mendigo na rua passando fome, por crianças pedindo dinheiro no sinal, por ver todos os dias pessoas inocentes e de bem morrendo nas mãos de bandidos.

     A construção da dignidade humana é pautada por essas duas coisas. O problema é que nenhuma delas consegue se desenvolver junto com o mundo. Na política, não se consegue conquistar nada sem fazer um rombo no dinheiro público e na igreja, a proibição do uso de anticoncepcional e camisinha  em pleno século 21, em que bebês são jogados na lata do lixo porque as mães simplesmente não os querem.

     Não há nem o que discutir. Vivemos em meio ao caos total e não há forças políticas ou divinas que façam as coisas mudarem. Para aqueles que acreditam, meu desejo de muita fé para um mundo melhor.

Tudo tem um preço

     

     Esse post demorou, mas saiu e é por uma ótima causa. Mais do que uma simples opinião de uma mera cidadã que mal entende de política, dessa vez eu caprichei e fui atrás de alguém que tem tudo a ver com o assunto.

      Conversei com o cientista político Marco Antônio Mota Araújo. Eu sempre quis ouvir a opinião de alguém que sabe e fala com propriedade sobre um assunto que a maioria das pessoas nem sabe discutir: Política.  Se é por falta de argumento ou por simplesmente se sentirem desiludidas ao falar de um tema que é tão decepcionante para nós brasileiros eu não sei, o que importa é que eu comprovei o que já imaginava: Tudo tem um preço.

Se nos desenvolvemos em alguns setores e melhoramos em outros aspectos é porque alguma coisa demos em troca e, infelizemente, foi a capacidade política de cada um de votar em alguém que realmente valha a pena.

Vejam a breve entrevista e se identifiquem, como eu, ou critiquem como as pessoas que gostam da política brasileira, se é que elas existem.

B: Como você avalia o atual cenário político brasileiro?

M: Infelizmente não temos como avaliar positivamente nosso atual quadro político. Certamente, a idéia de democracia e de liberdade de expressão e pensamento talvez seja nosso único e grande ganho nos últimos 30 anos. No entanto, na esfera macro-política, sabemos que mesmo a mudança de um regime ditatorial para o que vivemos atualmente, também passou por um longo processo de negociações entre as forças políticas o que possibilitou a manutenção e a sobrevivência de diversos setores ainda de caráter “coronelista” e corporativista. Sem dúvida, o país avançou bastante em alguns setores à partir dos anos 90, mas o custo político disso tem sido caro na medida em que nosso sistema político possibilita negociações nada positivas que levam à uma corrupção fora de controle e uma permanente promiscuidade entre a coisa pública e os demais setores sociais.

B: Que mudanças na estrutura política poderiam melhorar a questão da corrpução?

 Sem uma profunda Reforma Política não teremos condições para combater a corrupção. Aliás, é preciso lembrar que essa prática é algo totalmente arraigado em nossa História e mudanças sociais desse tipo só encontram sustentação de fato na mudança de consciência da população de um país. A punição e a denúncia por sí só não bastam, pois também possuímos um sistema judiciário bastante questionável e que, de qualquer forma, procura fazer cumprir Leis feitas justamente pelos setores mais interessados na manutenção da própria corrupção. Insisto na importância de uma Reforma Política para o país, mas é importante termos claro que, caso ela seja feita sem a participação do conjunto da sociedade, de forma aberta, consciente e participativa de nada adiantará.

B: O poder nas mãos de uma mulher traz alguma vantagem especial para o país?

Acho um avanço. Devemos lembrar que a participação feminina na vida política brasileira tem aumentado significativamente (na mesma proporção de sua participação na economia). No entanto, não acredito que questões de gênero tragam vantagens ou desvantagens políticas para qualquer país. Devemos entender que a habilidade política, a firmeza de posturas éticas ou qualquer coisa que o valha na condução da Coisa Pública, deve independer de quaisquer diferenças que possam existir entre cidadãos e, claro, cidadãs.

O segundo que define

Ligação mãe-bebê

      Quanta responsabilidade falar sobre a Lei que pode proibir ou legalizar o aborto. Sempre fui a favor da total liberdade de escolha, mas só de pensar na possibilidade de abortar virar moda, toda a minha defesa vai por água abaixo.

     Se eu tivesse certeza que as pessoas têm consciência do que é engravidar, do que é ser mãe, da responsabilidade que isso tem, levantaria a bandeira de legalização já, mas o pior é que eu sei que muitas não têm uma mínima noção do que isso significa.

    É possível refletir sobre o assunto através de diversos ângulos. Seguindo o caminho da religião, quem as pessoas pensam que são para tirar a vida de alguém? Pela ciência, esse é um procedimento totalmente viável e prático, afinal é melhor não haver nascimento se for para o bebê ir da maternidade diretamente para a lata do lixo.
 
     Eu fico na dúvida se ninguém se preocupa na hora de ter relações sexuais achando que um acidente de percurso nunca acontece consigo mesmo ou se a ingenuidade é tanta que quando acorda para a realidade, já foi.
 
       Seria muito fácil colocar uma foto de um feto que acabou de ser abortado e chocar todo mundo, mas para quê? A minha intenção não é convencer ninguém de que o aborto é uma agressão tanto para a mãe quanto para o filho. As únicas duas coisa que eu realmente peço é consciência e responsabilidade. Pensem no outro, olhem para o lado!

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